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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

"O dinheiro evoca 'moeda' da mente na forma de valores libidinais cunhados nas variadas imagens das realidades psíquicas que nos dizem onde a energia é investida, acumulada ou congelada, onde há riqueza ou empobrecimento, depressão ou inflação, acumulação ou bancarrota. É na tesouraria da mente que estão os 'depósitos de fantasias míticas' e as possibilidades imaginadas' (Hillman, 57). Mas a nossa capacidade ou incapacidade para tirar proveito de tal tesouro depende em parte da troca entre os diferentes aspectos da economia psíquica, e da maneira como o desejo e o medo orientam as nossas tendências para economizar, gastar ou esbanjar." (KATHLEEN, MARTIN. O Livro dos Símbolos: Reflexões Sobre Imagens Arquetípicas. Thaschen do Brasil, 2012)



*Também aqui.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

I Misteri della Sibilla, Dal Negro

  "Há aqueles que dão pouco do muito que possuem - e eles doam em busca de reconhecimento e é o seu desejo secreto que torna suas dádivas corruptas.

  "E há aqueles que têm pouco e doam tudo.

  "Estes são os que acreditam na vida e na generosidade da vida, e seus cofres nunca estão vazios." 

(Khalil Gibran, O Profeta)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Denaro - 6 de Copas

Acabamos com as cartas que mostravam personagens e iniciamos um campo mais abstrato. Dinheiro, abstrato? Não é o próprio naipe de ouros, que representa o que há de mais concreto, a matéria bruta?

O que é o dinheiro? O valor do papel-moeda, do ouro e da prata não depende da matéria com que são feitos, mas da crença que depositamos nesses objetos: escolhemos algo para representar valor, e esse algo que representa o valor é o dinheiro. Nunca confunda: dinheiro não é o valor em si, mas seu símbolo. É um instrumento de troca. E esse jogo confuso entre valor e dinheiro bagunça a vida de muita gente, constrói e destrói relacionamentos, movimenta o consumo e o mercado, mata de fome, mata por matar. Alguns veem nele aquilo que ele pode comprar ou atrair: status, beleza, sucesso.

O Denaro pode dar a liberdade ao proporcionar experiências marcantes, e também retirá-la. Na imagem da carta, vemos um cofre escancarado e vários sacos de moedas e objetos de valor espalhados dentro dele e sobre a mesa. Não se sabe se estão colocando mais dinheiro no cofre ou se alguém acabou de abri-lo, roubá-lo e saiu correndo com o que pôde. Mas ele precisa de proteção máxima: um cofre pesado, com um código de acesso, no cômodo mais seguro da casa. Pois atrai não só o que é bom, mas pessoas interesseiras, sentimentos escusos, crimes, perigos. A precaução para não perdê-lo inclui evitar certos lugares e horários, contratar alarmes e sistemas de segurança que nos prendem em nossa própria residência. 

Positivamente, a carta simboliza o sucesso de empreendimento, o custeio de viagens, cursos, passeios. Aconselha o consulente a abrir uma poupança para dias difíceis. Ao lado da Consolante Sorpresa, dinheiro inesperado (e cuidado: dinheiro que vem fácil, vai fácil). Pode mostrar aquela última carta na manga para salvar uma situação, o dinheirinho embaixo do colchão, o troquinho achado na calça. 

Negativamente, o movimento contrário indica um desembolso de uma grande quantia. As cartas próximas mostrarão em que situação isso se dá: pagamento de despesas médicas, festa de casamento, viagem etc. Como energia altamente inflamável, seus efeitos são imprevisíveis: um gasto mal feito pode resultar em dívidas difíceis de se livrar. 

O cofre encerra as coisas mais valiosas, mas tira-as da vista das pessoas. Esse tesouro é aquilo que temos bem escondido, a faceta que escondemos de nós mesmos. Nosso desejo mais genuíno, o coração mole por trás de uma armadura. 

"Dinheiro, como energia, é uma substância neutra que toma a direção da intenção do indivíduo.(...) Pode imiscuir-se na psique humana como substituto para a força da vida." (Myss, Caroline, ANATOMY OF THE SPIRIT. Tradução livre)

Dinheiro é energia. E energia estagnada faz mal. Por isso a avareza, o acúmulo sem propósito não levam a lugar nenhum. Dessa forma, esse arcano contrasta com a Fortuna, que espalha o dinheiro sem ver para onde vai. É a energia em movimento que traz a Fortuna, e não o seu acúmulo. Veja bem: essa não é uma carta de Ouros, mas de Copas. Liga-se mais ao que valorizamos do que ao nosso bolso. Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração (Lucas 12:34).