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segunda-feira, 6 de abril de 2015

É doce morrer no mar (Dorival Caymmi)


É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar

A noite que ele não veio foi
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar

Saveiro partiu de noite foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar

Nas ondas verdes do mar meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar





domingo, 22 de março de 2015

Passado, presente, futuro

"Toda a negatividade é causada pelo acúmulo de tempo psicológico e pela negação do presente. O desconforto, a ansiedade, a tensão, o estresse, a preocupação, todas essas formas de medo são causadas por excesso de futuro e pouca presença. A culpa, o arrependimento, o ressentimento, a injustiça, a tristeza, a amargura, todas as formas de incapacidade de perdão são causadas por excesso do passado e pouca presença. (TOLLE, ECKHART. O Poder do Agora. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2011)






sexta-feira, 14 de março de 2014

Sospiri - 6 de Espadas

Uma mulher à beira do mar olha para a imensidão azul com certo pesar. Ninguém morreu: uma pessoa amada foi embora e está distante. Ela suspira por ele, com o peito apertado de tanta saudade. Uma rosa está caída ao chão, vulnerável a qualquer pisada descuidada. Apesar da saudade, ela acalenta uma esperança: o retorno de seu amado. Não sabemos a quanto tempo ela está ali: ele pode ter acabado de partir. Alguns anos podem ter se passado, e ela vai lá todos os dias esperar por ele. Como uma viúva que espera que o seu marido ressucite. Suas roupas são negras como as de uma viúva, mas - ao contrário dela - a moça dessa carta tem desejo e esperança.

Em outros baralhos ciganos, como Zigeunerkarten, o nome da carta equivalente é Desejo. Um desejo que queima e não pode ser realizado, ao menos imediatamente. Um desejo que pode se tornar Frustração.
Desejo (Zigeunerkarten)

Se ela espera, assim como o arcano Belvedere, qual a diferença entre as cartas? Como já exploramos anteriormente, Sospiri diz respeito ao passado, e Belvedere olha para o futuro. E quais as consequências dessa mudança de perspectiva com formas parecidas? Belvedere volta-se para o que está por nascer, para as possibilidades reais, uma vez que seu pensamento pode criar o que quiser, sendo positivo e forte. Sospiri debruça-se sobre o que já morreu. Só ela não se deu conta ainda. Até mesmo sua roupa é de luto (será que ela percebeu que está enlutada?). Suas energias estão concentradas em algo que não pode mais dar frutos, um corpo em decomposição que precisa ser enterrado para não espalhar doenças. O Vedovo sabe que o tempo acabou, e guarda a memória do passado com reverência e limites: o passado está devidamente enterrado diante dele. O ritual de passagem foi feito.

Sospiri não sabe o que fazer. Nesse momento, estamos aguardando notícias do avião da Malaysian Airlines que desapareceu com centenas de passageiros. Os familiares não sabem o que esperar. Não sabem se devem considerar seus queridos mortos ou não. Ainda que os anos corram, sem um corpo para chorar e sem notícias do paradeiro dos desaparecidos, a esperança de revê-los nunca se esvai, e a ferida nunca é tratada. Quem tem parentes e amigos desaparecidos sabe que a dor não passa, que é muito confuso declarar a morte do que não se conhece.

Mas essa carta não se refere apenas a pessoas desaparecidas. Muitas vezes lamentamos em cima de algo que se foi, mas não aceitamos a sua partida. Um amor antigo, fortuna perdida, uma era de ouro que ficou no passado. São pessoas que vivem como se aquilo não tivesse chegado ao fim, e dessa forma vivem num limbo temporal que pode acabar em loucura e confusão mental (note que é uma carta de Espadas). E quando se dão conta de que aquilo passou, não sabem o que fazer: como uma pessoa que dormiu por 10 anos e acordou agora, com as referências de mundo que tinha antes de dormir. E ela pode acabar optando pelo seu mundo de fantasias doentias do passado, pois torna-se incapaz de viver o Agora.

O que você devia ter enterrado e não enterrou? Somos ensinados a iniciar coisas, mas não a abandoná-las no tempo certo. No entanto, saber encerrar ciclos é essencial para a nossa saúde mental, espiritual e até física.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Belvedere - 3 de Copas

Uma mulher apoiada sobre o muro vislumbra a cidade. Sua visão é privilegiada e provavelmente belíssima. Sorridente, parece esperar pela chegada de algo ou alguém.

Está distraída do que acontece a sua volta, como uma mocinha apaixonada. As rosas desabrochadas indicam que ela está pronta para o amor. E quem sabe se não é justamente o amor que ela espera?

O arcano fala da confiança no que está por vir, nos sonhos e projetos. Mostra um Consulente cheio de ideias ainda não concretizadas, mas que podem vir a se realizar. Não nos esqueçamos que tudo o que pensamos vibra de tal forma que pode se tornar realidade. Por isso é tão importante não alimentar pensamentos pessimistas e negativos.

Essa é a carta do pensamento positivo. Ainda que não mostre realizações, ela é muito poderosa. É o início de tudo.

Notemos que ela forma uma curiosa tríade com as cartas Sospiri e Malinconia. Sospiri volta-se para a lamentação do passado, de algo que já acabou e cujas brasas ainda queimam. Malinconia perdeu-se num presente sem sentido, a Realidade não tem sentido algum e pesa como chumbo. Espera é a carta do futuro, ansiosa e esperançosa.