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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Fortuna X Consolante Sorpresa

As duas cartas são inesperadas e trazem presentes, dons, dinheiro imprevisto. As duas cartas passam rapidamente e devem ser aproveitadas naquele momento: sua sorte é fugidia e, se não for agarrada, não tem motivos para ficar.

 

Mirko Negri, em seu livro Sibille (Manuali per L'Anima), vê a Fortuna como recompensa que não depende do consulente, mas puramente da sorte. Pode agraciar aqueles que não merecem (por isso, em algumas imagens, aparece vendada) e nas horas mais impróprias. Não depende de boas ações, da lei do retorno, de pensamento positivo. Pode, inclusive, estar do lado do seu inimigo ou daquelas pessoas que fazem mal às outras. Se estivar ao seu lado, não é sinal de merecimento. É sorte.

Na lâmina Consolante Sorpresa, no entanto, vemos que o homem comprou ou teceu sua rede, foi até o rio, jogou-a e esperou pacientemente por algum resultado. Sabia que sua pesca poderia dar em nada, mas mesmo assim o fez. E o resultado foi muito melhor do que esperava. Portanto, aqui há recompensas por um trabalho feito, por um projeto elaborado. Só que os resultados também vieram com sorte, por foram muito além do que foi investido. 

Referência bibliográfica
NEGRI, MIRKO. Sibille (Manuali per L'Anima). Milano: Anima Edizioni, 2013.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Fortuna - 5 de Paus

Uma mulher vendada, cercada de nuvens, segura uma cornucópia que derrama riquezas. Seus pés estão sobre uma discreta roda. É a deusa Fortuna. Essa carta é prima-irmã da Roda da Fortuna do tarô, mas parece-nos bem mais amigável. Em vez dos monstrinhos, vemos a deusa Fortuna. Em vez do movimento assustador da Roda, vemos uma porção de moedas se espalhando.



No entanto, não se engane: ela é tão instável e efêmera quanto sua parenta tarológica. Ainda assim, podemos dizer que ela representa o “topo” da Roda da Fortuna. Ela nos lembra que nem tudo depende do nosso trabalho e vontade. Às vezes, só um golpe de sorte nos ajudará a alcançar aquilo que queremos – ou nem sabemos que queremos. A questão é saber quando perceber esse golpe de sorte e como aproveitá-lo. Porque a Fortuna vem e vai embora rapidamente. Não há tempo para pensar. Se a pergunta do consulente requer uma resposta precisa, a Fortuna dá essa resposta: sim, invista! Sim, vá em frente!

Logo, a Fortuna pede adaptação rápida. O resultado é imprevisto, mas podemos confiar nele.
A Fortuna do Vera Sibilla não tem vendas
nos olhos, mas olha distraidamente para
cima.

Dizem que é a carta mais positiva do Sibilla. Mas, dependendo da questão proposta, pode mostrar a sorte de outras pessoas no jogo, e não a do consulente.

Quando representa alguém, fala de uma mulher loura que ilumina o ambiente, de personalidade vibrante. 


Também pode mostrar um comportamento perdulário, gastão. Cuidado com as consequências! 



Sugestão de leitura: sabe aquela pessoa que adora gastar o dinheiro alheio?

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Denaro - 6 de Copas

Acabamos com as cartas que mostravam personagens e iniciamos um campo mais abstrato. Dinheiro, abstrato? Não é o próprio naipe de ouros, que representa o que há de mais concreto, a matéria bruta?

O que é o dinheiro? O valor do papel-moeda, do ouro e da prata não depende da matéria com que são feitos, mas da crença que depositamos nesses objetos: escolhemos algo para representar valor, e esse algo que representa o valor é o dinheiro. Nunca confunda: dinheiro não é o valor em si, mas seu símbolo. É um instrumento de troca. E esse jogo confuso entre valor e dinheiro bagunça a vida de muita gente, constrói e destrói relacionamentos, movimenta o consumo e o mercado, mata de fome, mata por matar. Alguns veem nele aquilo que ele pode comprar ou atrair: status, beleza, sucesso.

O Denaro pode dar a liberdade ao proporcionar experiências marcantes, e também retirá-la. Na imagem da carta, vemos um cofre escancarado e vários sacos de moedas e objetos de valor espalhados dentro dele e sobre a mesa. Não se sabe se estão colocando mais dinheiro no cofre ou se alguém acabou de abri-lo, roubá-lo e saiu correndo com o que pôde. Mas ele precisa de proteção máxima: um cofre pesado, com um código de acesso, no cômodo mais seguro da casa. Pois atrai não só o que é bom, mas pessoas interesseiras, sentimentos escusos, crimes, perigos. A precaução para não perdê-lo inclui evitar certos lugares e horários, contratar alarmes e sistemas de segurança que nos prendem em nossa própria residência. 

Positivamente, a carta simboliza o sucesso de empreendimento, o custeio de viagens, cursos, passeios. Aconselha o consulente a abrir uma poupança para dias difíceis. Ao lado da Consolante Sorpresa, dinheiro inesperado (e cuidado: dinheiro que vem fácil, vai fácil). Pode mostrar aquela última carta na manga para salvar uma situação, o dinheirinho embaixo do colchão, o troquinho achado na calça. 

Negativamente, o movimento contrário indica um desembolso de uma grande quantia. As cartas próximas mostrarão em que situação isso se dá: pagamento de despesas médicas, festa de casamento, viagem etc. Como energia altamente inflamável, seus efeitos são imprevisíveis: um gasto mal feito pode resultar em dívidas difíceis de se livrar. 

O cofre encerra as coisas mais valiosas, mas tira-as da vista das pessoas. Esse tesouro é aquilo que temos bem escondido, a faceta que escondemos de nós mesmos. Nosso desejo mais genuíno, o coração mole por trás de uma armadura. 

"Dinheiro, como energia, é uma substância neutra que toma a direção da intenção do indivíduo.(...) Pode imiscuir-se na psique humana como substituto para a força da vida." (Myss, Caroline, ANATOMY OF THE SPIRIT. Tradução livre)

Dinheiro é energia. E energia estagnada faz mal. Por isso a avareza, o acúmulo sem propósito não levam a lugar nenhum. Dessa forma, esse arcano contrasta com a Fortuna, que espalha o dinheiro sem ver para onde vai. É a energia em movimento que traz a Fortuna, e não o seu acúmulo. Veja bem: essa não é uma carta de Ouros, mas de Copas. Liga-se mais ao que valorizamos do que ao nosso bolso. Porque onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração (Lucas 12:34).